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O questionado mundo “real” da boa prática

Por Heinz Dieter Nevermann Zamorano | Instrutor na Lan University

As vezes escuto falar que as boas práticas estão muito afastadas da realidade, algo assim como se elas morassem no mundo da lua, em algum lugar ideal e que nunca seriam aplicáveis neste mundo “real” complexo e desamparado de orientações.

Esse comentário, acredito se sustenta, se pensarmos em profissionais que não tem muito conhecimento do histórico dessas boas práticas, da sua origem e sintomas que vieram a resolver, do seu conteúdo, do seu propósito, de quais foram seus motivadores e cenários onde era necessário mudar, de que problemas vem a resolver, de quais orientações são necessárias para sua implantação, do que será necessário mudar e adaptar na realidade da organização para dar certo.

Entendo que para alguém que não tenha mergulhado profundamente no seu conteúdo, talvez não consiga ver sua aplicabilidade, não consiga ver caminhos claros de implantação, não consiga resolver questões que outros já resolveram aplicando e implantando estas práticas no seu dia a dia. Desta maneira, a partir dessa visão contaminada pelos conflitos do dia a dia, transformam estas boas praticas em um “real” fracasso, e por consequência, se transformam também em verdadeiros inimigos delas. Entendo que disseminar que as boas práticas não funcionam na “prática”, é ir no sentido contrario do estabelecido a amadurecido por elas.

Comentários do tipo “na vida real, isso não funciona!”, são claramente declarações que manifestam e delatam uma falta de manejo particular do seu interlocutor. Não tem sido poucas vezes que escuto de treinadores, instrutores, evangelizadores de boas práticas, se direcionando ao seu publico com propostas contrarias ao próprio assunto que estão ensinando, talvez por um entendimento raso, quase como se não acreditassem realmente que essas boas praticas vieram para resolver problemas reais, embasados com exemplos de milhares de casos que evidenciam sua exitosa existência.

As vezes penso que nesse questionamento, implicitamente eles estão com propostas novas, eles “inventaram” melhorias nas boas práticas, com soluções inovadoras que colocariam essas práticas contra a parede. Mas colocando um olhar mais detalhado, demonstram o contrario, eles continuam presos no caos complexo dos degraus mínimos de maturidade que a própria boa pratica prega.

Pior ainda, instrutores que preparam alunos para passar em provas de certificação destas boas práticas, propõem algo bizarro: decorem a resposta que os certificadores falam, já que na “vida real” isso não funciona. DECOREM! acho um verdadeiro absurdo. Eles não conseguem encontrar argumentos para justificar o por que essa alternativa proposta na pergunta de prova, é correta. Simplesmente decorem!

Me pergunto, porque estes instrutores estão ministrando aulas, preparando alunos para adquirir um conhecimento que eles próprios, como professores não acreditam? Até parece que os alunos podem ser enganados na frente destas orientações. E o pior, eles ganham dinheiro com isso.

O que será que não funciona na vida real? para mim, fica cada vez mais claro, que o que não funciona é o entendimento deles, as habilidades do instrutor, a capacidade deles de aplicar o que a boa pratica diz.

Não podemos esquecer que nosso papel no hora de modelar e implantar as boas práticas neste mundo “real”, nessa especifica realidade, se assemelha ao de um alfaiate que constrói um traje na media certa para cada cliente. Esse é o grande poder de uma boa prática, a sua adaptabilidade. Somos nós que entendendo e aplicando de maneira adequada a técnica proposta, adaptamos e dosarmos na medida do necessário, para fazermos desse trabalho um grande sucesso.



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